A Câmara vai avançar com a primeira fase da ecovia "Caminho do Rio", um percurso de cerca de seis quilómetros, entre Gondarém e Reboreda. O concurso público já foi lançado e segue-se agora a análise das propostas. Em causa está a valorização da margem ribeirinha do rio Minho, um dos locais com maior riqueza cénica do concelho de Vila Nova de Cerveira. A obra inclui a recuperação e adaptação a antiga casa do guarda-rios, em Gondarém.
O projecto prevê que o percurso total seja dividido em dois troços, sendo um deles de carácter central, com características urbanas. Esta parte corresponde à zona onde a ecovia se encontra com o tecido urbano da Vila, nomeadamente o Parque do Castelinho, que lhe permite interagir com os equipamentos já existentes, como o próprio Aquamuseu do Rio Minho, os equipamentos lúdicos, o parque infantil e o bar, entre outros. Haverá ainda um troço rural, em que se evidencia a vegetação que acompanha o rio, as actividades agrícolas e a pesca.
Segundo o presidente da Câmara, José Manuel Carpinteira, o propósito essencial desta intervenção é "potenciar a ligação harmoniosa entre a natureza e o turismo, ao mesmo tempo que se valoriza toda uma zona de potencialidades excepcionais e se incentivam modos de vida mais saudáveis, designadamente com a criação de óptimas condições para a prática de desporto de ar livre".
A qualidade endógena da paisagem ribeirinha vai, com o "Caminho do Rio" reforçar a atractividade, quer para os Cerveirenses, quer para pessoas de fora em visita ao concelho, que disporão assim de áreas de excelência para o lazer e para o desporto.
Para José Manuel Carpinteira, a solução a que se chegou, "compatibilizando o desenvolvimento socioeconómico com a conservação da natureza, será uma mais-valia para o turismo concelhio, promovendo-se uma saudável convivência do homem com o património natural, sem agressões".
Aliás, entre os objectivos principais consagrados no projecto da ecovia, salienta-se, para além da valorização da paisagem e da criação de condições para a sua fruição, o desejo de "proporcionar melhor conhecimento e respeito pela natureza, pela introdução e aprendizagem de regras que ajudem na valorização da mesma, fomentando o contacto com a natureza, indispensável para manter a saúde física e psicológica e o sentido de espaço comunitário, motivando as pessoas para a preservação de um espaço que é de todos".
A futura ecovia, devidamente infra-estruturada, destina-se à circulação a pé ou em bicicleta. Tendo em conta a natureza da área a intervencionar, assim como a necessidade de conservação da biodiversidade "pretende-se intervir o menos possível na paisagem. O traçado do percurso e os materiais seleccionados foram definidos com o intuito de interferir o menos possível na paisagem, nos habitats e na dinâmica natural do sistema ribeirinho", refere-se expressamente no projecto.
José Manuel Carpinteira salienta ainda a importância de se incluir nesta obra a beneficiação da antiga casa do guarda-rios, em Gondarém: "à semelhança do que já fizemos noutras situações, com edifícios municipais cuja funcionalidade original se esgotou", vamos ocupar-nos também desta casa, recuperando-a e tornando possível uma nova utilização. Esta antiga casa do guarda-rios, com um único piso, encontra-se presentemente degradada e fechada há alguns anos, o que contribuiu também para o mau estado de conservação em que se encontra. A intervenção prevista vai melhorar toda a envolvente exterior, redesenhar os compartimentos interiores do edifício, remodelar a instalação sanitária e cozinha, construir novas redes de abastecimento de água, drenagem de esgotos, rede eléctrica e de telecomunicações, tendo havido ainda a preocupação de conseguir um bom desempenho energético.