:: Pedrógão Grande - Autarquia quer reabilitar (e recordar) zona histórica
29-09-2006
O centro histórico da vila de Pedrógão Grande constitui um espólio importante, sobretudo, dos tempos da ocupação romana, traços que se vão mantendo para além do passar do tempo e que deverão ser revitalizados e recuperados à traça original, trazendo os pedroguenses de volta ao centro.
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As características medievais que ainda se mantêm e a falta de população residente no centro histórico podem ser duas razões para o projecto que a autarquia de Pedrógão Grande está a desenvolver, para trazer de volta o passado histórico da vila e habitação para a população mais carenciada.

A Câmara Municipal de Pedrógão Grande pretende manter as características medievais da arquitectura do centro histórico e para isso está a desenvolver um Plano de Salvaguarda e Reabilitação da zona histórica de Pedrógão Grande - «Recuperação urbana da vila». “É um plano muito ambicioso que passa pela reabilitação de fachadas, das ruas; pela criação de alguns equipamentos de animação e onde se pretende repovoar o centro”, explica o presidente da Câmara de Pedrógão, João Manuel Marques. A estratégia é a recuperaração, sob o ponto de vista histórico, a pensar no Turismo porque já não há muitas vilas que tenham ainda esta possibilidade. A maior parte delas, na região, “foram completamente desvirtuadas”, afirma o autarca, que ressalva como um objectivo do projecto a compra e recuperação das casas degradadas da zona histórica que pretende colocar à venda para casais e pessoas que necessitam de apoio. “Tenho um projecto para construção, em 22 lotes, de vivendas geminadas a preços controlados, mas não vou fazer mais apartamentos de habitação social quando tenho casas degradadas na zona histórica”, aponta.
A requalificação do parque habitacional é, de resto, um dos alvos principais em termos de intervenção, começando pela eliminação de caixilharias, limpeza de socos, pintura das fachadas, recuperação das coberturas com telha de canudo e das janelas com caixilharia em madeira e colocação de portadas interiores. De acordo com a arquitecta da autarquia que está a desenvolver o projecto, Sofia Ferreira, está também previsto arranjar um espaço para estacionamento de carros e espaços verdes, ao mesmo tempo que se pretende manter a calçada em granito. No entanto, pretende-se resolver o problema da falta de passeios pedonais, sendo que se irão tentar criar faixas pedonais ou vias de sentido único.

O autarca João Manuel Marques salientou ainda que se pretende dinamizar os dois museus - a Casa Museu e o Museu de Arte Sacra - e aproveitar uma das escolas para ter o Museu Municipal, com várias valências na área da Educação e com o espólio arqueológico. “A arqueologia é uma aposta que tenho feito”, avança o edil, apontando para os registos da ocupação romana e da era do Bronze. “Neste momento, já temos duas estações arquelógicas e sabemos que a zona do Penedo, que foi uma zona de ocupação romana por excelência, tem de ser explorada e, eventualmente, aproveitada sob o ponto de vista turístico e museológico”, acrescenta.
Reunir apoios para o projecto
O projecto de recuperação urbana da vila está ainda numa fase muito embrionária, quase de estudo. No entanto, está já concluído o levantamento e a análise da zona e a primeira fase do projecto deverá ser a requalificação do parque habitacional. De acordo com Sofia Ferreira, já foi lançada a proposta de regulamento de salvaguarda em termos de ordenamento, sendo que João Manuel Marques prevê candidatar este projecto ao Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN), aproveitando as verbas que se destinam à reabilitação urbana, embora o projecto não deva arrancar antes de 2007, contando depois com mais dois anos de obras.

Uma vila com História
Casas fechadas, ruas estreitas sem passeios e calçada de granito antiga são o cenário do centro histórico de Pedrógão Grande, onde um silêncio quase ensurdecedor só se quebra com os olhares curiosos das senhoras que espreitam sorrateiras para ver quem passa. Uma tarde de semana igual à de tantas outras, mas tão diferente do bulício dos centros de outras vilas e cidades. A delimitação do centro histórico quase que se confunde com a vila, não fosse o comércio que foi crescendo e avançando para fora do centro histórico, onde as pessoas se encontram e conduzem a sua vida.

Das ruas que se vão cruzando, atravessando o centro histórico, avista-se a Torre do Relógio de vários locais e, chegando à imponente Igreja Matriz, quinhentista, percebe-se a grandiosidade de outros tempos. Também a Igreja da Misericórdia que data de 1470; o pelourinho e a ponte Filipina do Cabril (1607-10) que atravessa o rio Zêzere, são construções remotas que se podem conhecer em Pedrógão Grande. Outra confirmação da presença dos romanos por estas paragens, é evidenciada através da estação arqueológica da Devesa e do Calvário, no coração da vila de Pedrógão, da unidade industrial de fabrico de materiais de construção (telhas) no Cabeço da Cotovia e da ponte romana do Cabril que, actualmente, está submersa pelas águas da albufeira da barragem da Bouçã.

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» E ainda ... |
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